Pandemia de Covid-19
um choque exógeno no ciclo eleitoral de 2022
DOI:
https://doi.org/10.14244/agenda.2024.2.2Palavras-chave:
Eleição 2022, Pandemia da Covid-19, Avaliação de governoResumo
Bolsonaro recorreu ao argumento econômico para minimizar os efeitos da pandemia. Contudo, dois anos depois, com baixa popularidade e às vésperas do segundo turno, o ex-presidente admitiu arrependimento. Diante da perda de apoio e do peso do desempenho econômico sobre suas chances de reeleição, este estudo analisa como a Covid-19 impactou o apoio a Bolsonaro nas eleições de 2022. O material empírico é o ESEB (Estudo Eleitoral Brasileiro), com foco em três variáveis: avaliação de governo, da economia e da pandemia. Desenvolve-se uma tipologia que combina as avaliações da economia e do combate à pandemia, para inferir seus efeitos sobre a avaliação de governo e o voto no segundo turno. Os resultados indicam que a percepção da crise sanitária foi mais determinante que a econômica, influenciando negativamente tanto a avaliação do governo quanto a decisão do eleitor em não votar no ex-capitão.
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