Atitudes antielites e escolha eleitoral no Brasil segundo o Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) de 2022
DOI:
https://doi.org/10.14244/agenda.2025.1.7Palavras-chave:
Atitudes antielites políticas, Atitudes antielites não políticas, Voto, Eleição presidencialResumo
Com base no Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB), analisamos o papel de atitudes antielites sobre o voto populista de direita no primeiro turno da eleição presidencial brasileira de 2022. Para isso, elaboramos índices de atitudes antielites políticas e não políticas, os quais foram adotados como variáveis independentes em modelos multivariados de explicação do voto. Consideramos que as elites políticas tradicionais são os alvos preferenciais de líderes populistas, mas que, uma vez no poder, tais líderes tendem a mudar (ou a ampliar) seus adversários, passando a confrontar outras elites, como jornalistas, cientistas e o Poder Judiciário. Como resultado, encontramos que atitudes antielites políticas não diferenciaram a escolha eleitoral no primeiro turno da eleição de 2022 no Brasil, mas que manter atitudes antielites não políticas aumentou a probabilidade de os eleitores optarem por Jair Bolsonaro. Além disso, outras variáveis que já apareceram anteriormente associadas à escolha eleitoral no Brasil, segundo a literatura, como autoposicionamento ideológico, percepção da economia, autoritarismo e conservadorismo social também influenciaram a decisão dos eleitores nessa eleição.
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