Populismo no Brasil de contrapositores: manipulação do autêntico e profanação do contrário

Autores

  • Sandra Fischer
  • Aline Vaz

DOI:

https://doi.org/10.31990/agenda.2020.1.5

Resumo

O estudo apresenta reflexões concernentes ao bolsonarismo, movimento originado no bojo do recrudescimento do neoliberalismo no Brasil, e ao bufonismo. Alçado à presidência do país no pleito de 2018, Jair Messias Bolsonaro, o candidato do Partido Social Liberal, faz uso de uma linguagem populista e agressiva durante a campanha eleitoral. Parte-se do pressuposto de que o bolsonarismo se constitui e se dá a ver 1) na expressão da dita autêntica/espontânea atuação cotidiana de Bolsonaro; 2) na reiteração do ‘grotesco’ (no âmbito bolsonarista) em contraposição ao ‘intelectual’ (no universo do lulismo, fenômeno político de esquerda representado pela figura de Luiz Inácio Lula da Silva e então projetada na pessoa de Fernando Haddad, o candidato do Partido dos Trabalhadores). Por meio da análise, à luz da semiótica de linha francesa, de discursos verbais e imagéticos de homens públicos que se contrapõem (Bolsonaro vs Lula/Haddad, no caso), tem-se aqui o objetivo de compreender, especialmente, a construção e os efeitos do imaginário bolsonarista que afeta o Brasil durante a campanha presidencial de 2018.

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Publicado

2022-01-25

Como Citar

FISCHER, S.; VAZ, A. Populismo no Brasil de contrapositores: manipulação do autêntico e profanação do contrário. Revista Agenda Política, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 131–156, 2022. DOI: 10.31990/agenda.2020.1.5. Disponível em: https://www.agendapolitica.ufscar.br/index.php/agendapolitica/article/view/311. Acesso em: 25 fev. 2024.