Chamada de artigos para o dossiê “Eleições: reconfigurações e disputas”. Prazo de submissão: 28/01/2026 a 01/03/2026
Esta proposta de dossiê visa receber trabalhos resultantes de investigações, com base empírica, teórica e comparativa, sobre o cenário político que antecede as eleições de 2026, com foco nas disputas em ambientes digitais, institucionais e territoriais, especialmente nas dinâmicas eleitorais e nos processos de representação política.
As eleições de 2026 ocorrerão em um contexto marcado pela erosão do espaço público, pela reconfiguração das formas de mediação política e pela centralidade crescente das tecnologias digitais na produção e circulação de dados. O dossiê busca reunir pesquisas que analisem esses desafios contemporâneos, examinando como o processo eleitoral e os mecanismos de representação política são tensionados e redefinidos, bem como as formas pelas quais campanhas, atores partidários, plataformas digitais e o comportamento do eleitorado produzem, disputam e ressignificam os sentidos da democracia em uma conjuntura de rápidas transformações tecnológicas.
Esse cenário nacional se insere, ainda, em um quadro mais amplo de reconfiguração política na América Latina, caracterizado por ciclos de instabilidade institucional, polarização ideológica, disputas em torno da legitimidade democrática e tensões entre projetos políticos antagônicos. Nos últimos anos, a região tem sido marcada tanto por experiências de rearticulação de forças progressistas quanto pelo fortalecimento de discursos conservadores e autoritários, frequentemente impulsionados por estratégias de comunicação digital, mobilizações identitárias e retóricas antissistêmicas. Nesse sentido, o cenário político contemporâneo deve ser analisado à luz dessas dinâmicas regionais, considerando fluxos transnacionais de ideias, estratégias e atores políticos.
No plano global, o dossiê dialoga com o avanço da extrema direita e do populismo autoritário, cuja expressão emblemática se manifesta na ascensão e no reposicionamento político de Donald Trump nos Estados Unidos e em suas reverberações internacionais. A consolidação de narrativas que questionam instituições democráticas, promove a desinformação sistemática e mobilizam afetos políticos negativos tem impactado agendas eleitorais, formatos de campanha e padrões de engajamento político em diferentes países. A circulação global desses discursos, amplificada por plataformas digitais, cria um ambiente de competição simbólica que ultrapassa fronteiras nacionais e influencia diretamente os processos eleitorais latino-americanos.
Interessa-nos, sobretudo, observar como a intensificação do uso de inteligência artificial, automação, deepfakes, desinformação e sistemas de marketing digital moldam o debate público, alterando práticas tradicionais de mobilização política e partidária. Nesse âmbito, as plataformas digitais tornam-se infraestruturas centrais da competição pelo voto, sem que o jogo eleitoral se restrinja exclusivamente a elas. Seus efeitos impactam espaços presenciais e territorializados — como igrejas, associações, mídia tradicional e instituições oficiais — compondo um ecossistema híbrido no qual a política contemporânea se realiza. Buscamos trabalhos que avancem na análise dessas intersecções, levando em consideração o jogo de narrativas, as dinâmicas de desinformação, partidos políticos, movimentos sociais, influenciadores e agentes locais.
Além disso, entendemos que as eleições constituem um momento privilegiado para observar racionalidades de voto, disputas programáticas e estratégias de segmentação política. Nesse sentido, são bem-vindas investigações sobre comportamentos eleitorais complexos que envolvem, por exemplo, atores e pautas religiosas, destacando diferenças organizacionais entre denominações e instituições, variações de alinhamento partidário, contrastes entre pautas morais e redistributivas, bem como as formas pelas quais — de púlpitos a congás, de redes sociais a dinâmicas regionais — esses elementos se combinam para mobilizar politicamente. O ciclo eleitoral permite, assim, lançar luz não apenas sobre práticas políticas hegemônicas, mas também sobre dissidências, contra-narrativas e posicionamentos frequentemente invisibilizados no debate público mainstream.
Acolhemos contribuições que articulem perspectivas qualitativas e quantitativas, análises de dados e de discurso, trabalhos comparativos e investigações sobre o gerenciamento e o uso de plataformas, políticas públicas e redes de articulação política transnacional. O objetivo é reunir um panorama robusto e contemporâneo do cenário político que antecede as eleições de 2026, ampliando a compreensão crítica das transformações em curso na democracia brasileira e de suas conexões regionais e globais.
Elections: reconfigurations and disputes
This issue proposal aims to receive works resulting from empirical, theoretical, and comparative research on the political scenario leading up to the 2026 elections, focusing on disputes in digital, institutional, and territorial environments, especially electoral dynamics and political representation processes.
The 2026 elections will take place in a context marked by the erosion of public space, the reconfiguration of forms of political mediation, and the growing centrality of digital technologies in the production and circulation of data. It seeks to bring together research that analyzes these contemporary challenges, examining how the electoral process and mechanisms of political representation are strained and redefined, as well as the ways in which campaigns, party actors, digital platforms, and voter behavior produce, dispute, and redefine the meanings of democracy in a context of rapid technological change.
This national scenario is also part of a broader picture of political reconfiguration in Latin America, characterized by cycles of institutional instability, ideological polarization, disputes over democratic legitimacy, and tensions between antagonistic political projects. In recent years, the region has been marked both by experiences of rearticulation of progressive forces and by the strengthening of conservative and authoritarian discourses, often driven by digital communication strategies, identity mobilizations, and anti-systemic rhetoric. In this sense, the contemporary political scenario must be analyzed in light of these regional dynamics, considering transnational flows of ideas, strategies, and political actors.
At the global level, the issue addresses the advance of the far right and authoritarian populism, whose emblematic expression is manifested in the rise and political repositioning of Donald Trump in the United States and its international reverberations. The consolidation of narratives that question democratic institutions, promote systematic disinformation, and mobilize negative political sentiments has impacted electoral agendas, campaign formats, and patterns of political engagement in different countries. The global circulation of these discourses, amplified by digital platforms, creates an environment of symbolic competition that transcends national borders and directly influences Latin American electoral processes.
We are particularly interested in observing how the intensified use of artificial intelligence, automation, deepfakes, disinformation, and digital marketing systems shape public debate, altering traditional practices of political and partisan mobilization. In this context, digital platforms have become central infrastructures in the competition for votes, without the electoral game being restricted exclusively to them. Their effects impact physical and territorialized spaces—such as churches, associations, traditional media, and official institutions—composing a hybrid ecosystem in which contemporary politics takes place. We seek works that advance the analysis of these intersections, taking into account the interplay of narratives, the dynamics of disinformation, political parties, social movements, influencers, and local agents.
Furthermore, we understand that elections are a privileged moment to observe voting rationalities, programmatic disputes, and political segmentation strategies. In this sense, we welcome investigations into complex electoral behaviors involving, for example, religious actors and agendas, highlighting organizational differences between denominations and institutions, variations in party alignment, contrasts between moral and redistributive agendas, as well as the ways in which—from pulpits to congás, from social networks to regional dynamics — these elements combine to mobilize politically. The electoral cycle thus allows us to shed light not only on hegemonic political practices, but also on dissidence, counter-narratives, and positions that are often invisible in mainstream public debate.
We welcome contributions that articulate qualitative and quantitative perspectives, data and discourse analysis, comparative works, and investigations into the management and use of platforms, public policies, and transnational political articulation networks.
The goal is to bring together a robust and contemporary overview of the political landscape leading up to the 2026 elections, broadening the critical understanding of the transformations underway in Brazilian democracy and its regional and global connections.
Elecciones: reconfiguraciones y disputas
Esta propuesta de dossier tiene como objetivo recopilar trabajos, con base empírica, teórica y comparativa, sobre el escenario político previo a las elecciones de 2026, centrándose en las disputas en entornos digitales, institucionales y territoriales, especialmente en las dinámicas electorales y los procesos de representación política.
Las elecciones de 2026 se celebrarán en un contexto marcado por la erosión del espacio público, la reconfiguración de las formas de mediación política y la creciente centralidad de las tecnologías digitales en la producción y circulación de datos. El dossier busca reunir investigaciones que analicen estos retos contemporáneos, examinando cómo el proceso electoral y los mecanismos de representación política se tensan y redefinen, así como las formas en que las campañas, los actores partidistas, las plataformas digitales y el comportamiento del electorado producen, disputan y redefinen los significados de la democracia en un contexto de rápidas transformaciones tecnológicas.
Este escenario nacional se inscribe, además, en un marco más amplio de reconfiguración política en América Latina, caracterizado por ciclos de inestabilidad institucional, polarización ideológica, disputas en torno a la legitimidad democrática y tensiones entre proyectos políticos antagónicos. En los últimos años, la región se ha caracterizado tanto por experiencias de rearticulación de fuerzas progresistas como por el fortalecimiento de discursos conservadores y autoritarios, a menudo impulsados por estrategias de comunicación digital, movilizaciones identitarias y retóricas antisistémicas. En este sentido, el panorama político contemporáneo debe analizarse a la luz de estas dinámicas regionales, teniendo en cuenta los flujos transnacionales de ideas, estrategias y actores políticos.
A nivel global, el dossier dialoga con el avance de la extrema derecha y el populismo autoritario, cuya expresión emblemática se manifiesta en el ascenso y el reposicionamiento político de Donald Trump en Estados Unidos y en sus repercusiones internacionales. La consolidación de narrativas que cuestionan las instituciones democráticas, promueven la desinformación sistemática y movilizan afectos políticos negativos ha tenido un impacto en las agendas electorales, los formatos de campaña y los patrones de compromiso político en diferentes países. La circulación global de estos discursos, amplificada por las plataformas digitales, crea un ambiente de competencia simbólica que traspasa las fronteras nacionales e influye directamente en los procesos electorales latinoamericanos.
Nos interesa, sobre todo, observar cómo la intensificación del uso de la inteligencia artificial, la automatización, los deepfakes, la desinformación y los sistemas de marketing digital moldean el debate público, alterando las prácticas tradicionales de movilización política y partidaria. En este contexto, las plataformas digitales se convierten en infraestructuras centrales de la competencia por el voto, sin que el juego electoral se restrinja exclusivamente a ellas. Sus efectos repercuten en espacios presenciales y territorializados —como iglesias, asociaciones, medios de comunicación tradicionales e instituciones oficiales—, conformando un ecosistema híbrido en el que se desarrolla la política contemporánea. Buscamos trabajos que avancen en el análisis de estas intersecciones, teniendo en cuenta el juego de narrativas, las dinámicas de desinformación, los partidos políticos, los movimientos sociales, los influencers y los agentes locales.
Además, entendemos que las elecciones constituyen un momento privilegiado para observar las racionalidades del voto, las disputas programáticas y las estrategias de segmentación política. En este sentido, son bienvenidas las investigaciones sobre comportamientos electorales complejos que involucran, por ejemplo, actores y agendas religiosas, destacando las diferencias organizativas entre denominaciones e instituciones, las variaciones en la alineación partidaria, los contrastes entre las agendas morales y redistributivas, así como las formas en que —desde los púlpitos hasta los congás, desde las redes sociales hasta las dinámicas regionales — estos elementos se combinan para movilizar políticamente. El ciclo electoral permite así arrojar luz no solo sobre las prácticas políticas hegemónicas, sino también sobre las disidencias, las contra-narrativas y las posiciones que a menudo pasan desapercibidas en el debate público mainstream.
Aceptamos contribuciones que articulen perspectivas cualitativas y cuantitativas, análisis de datos y del discurso, trabajos comparativos e investigaciones sobre la gestión y el uso de plataformas, políticas públicas y redes de articulación política transnacional. El objetivo es reunir un panorama sólido y contemporáneo del escenario político que precede a las elecciones de 2026, ampliando la comprensión crítica de las transformaciones en curso en la democracia brasileña y sus conexiones regionales y globales.
Coordenadores: Nathália Gonçalves Zaparolli (Unesp) e Renan Baptistin Dantas (Unicamp)
